About Me

Desde 2020, aqui no Caffe Librarium, compartilho minhas descobertas e insights sobre o fascinante universo da cultura pop, conectando universos e linguagens da arte.


Uma raposa curiosa de alma inquieta, que ama explorar diferentes universos. Pesquisadora em formação em Cinema e Linguagem Audiovisual e em Literatura, Arte e Filosofia, interessada nos diálogos entre cultura pop, literatura, filosofia, mitologia e as diferentes linguagens da arte.

Movida a café, filosofia, mitologia e vinho, buscando meu equilíbrio na Força em uma jornada errante, criando meu próprio código.

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Byung-Chul Han: Reflexões e Atravessamentos Sobre a Sociedade do Cansaço




Recentemente, acabei lendo três livros de Han, A Sociedade do Cansaço, A Agonia do Eros e Vita Contemplativa e decidi trazer um pouco das reflexões que essa leitura me provocou e alguns conceitos que o autor traz nelas.

Byung-Chul Han é geralmente apresentado pela mídia como um filósofo sul-coreano radicado na Alemanha, autor de ensaios sobre o esgotamento contemporâneo. Mas isso é apenas o currículo, Han é sobretudo um provocador, no melhor sentido filosófico da palavra. Um pensador que incomoda porque força a desaceleração, e nos convida a confrontar a maneira como pensamos a nós mesmos e nossas relações em um mundo capitalista, regido pelo excesso de telas, pela performance e e cada vez mais atingido pela perda da sensibilidade.


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Não conseguimos pensar em outra coisa senão produtividade. Estamos alimentando informações, recebendo informações, buscando informações sobre como usar as informações e como melhorar o nosso desempenho, afinal de contas, apenas os mais qualificados e informados recebem os louros.

Nessa loucura líquida, para citar Zygmunt Bauman1, que eu acredito ter muita ligação com Han, pois ambos tratam de diferentes sintomas de uma sociedade marcada pela aceleração, pelo excesso de informação e pelo enfraquecimento dos vínculos quer sejam com objetos ou com outras pessoas, que rapidamente perde seu valor diante da promessa do próximo. O que me lembra uma frase que me marcou assitindo Gachiakuta:

As pessoas transformam “objetos” em “lixo” com facilidade …
e passam a tratá-los como algo sujo, nunca mais dando valor a eles.
Isso também vale para as pessoas...
– Gachiakuta

Em Gachiakuta, essa lógica aparece representada de maneira literal em que aquilo que é considerado sem valor é lançado ao lixo.

O problema talvez não esteja apenas em descartar aquilo que não queremos mais, mas em transformar a atribuição de valor em condição para que algo mereça permanecer. Se uma pessoa deixa de corresponder às nossas expectativas, se uma relação deixa de produzir prazer, se um trabalho deixa de produzir reconhecimento, se tudo houver uma condição e um propósito meramente apenas de satisfazer, tudo pode rapidamente adquirir a aparência de algo substituível.

É nesse ponto que o diálogo entre Bauman e Han se torna interessante. Bauman descreve a fragilidade dos vínculos e a fluidez das relações na modernidade líquida; Han, por outro caminho, investiga as transformações na forma como o sujeito se relaciona consigo mesmo, com os outros e com o próprio trabalho. É importante salientar que a minha intenção aqui não se trata de dizer que um explica o outro, mas de perceber como seus diagnósticos podem se aproximar ao observar diferentes aspectos de uma mesma sociedade marcada pela aceleração, pelo individualismo e pela perda de estabilidade. Acho que implícito também a nossa perda na faculdade de julgar e definir valores, ou só eu acabei seguindo essa linha?

Enquanto Bauman enfatiza a liquidez dos vínculos, a fragilidade das relações e a dificuldade de construir algo duradouro, Han desloca o olhar para o sujeito e para a forma como a exigência de desempenho é internalizada. O indivíduo deixa de ser apenas submetido a uma estrutura externa de disciplina e passa a participar ativamente da própria exploração. É nesse contexto que Han fala em uma Sociedade do Cansaço, não apenas como resultado de excesso de trabalho, mas como consequência de uma sociedade na qual o indivíduo se cobra continuamente para produzir, melhorar e superar a si mesmo. O resultado pode ser aquilo que Han chama de “infarto da alma”.


A Sociedade do Cansaço


A sociedade do século XXI não é mais a sociedade disciplinar, mas uma sociedade de desempenho. Também seus habitantes não se chamam mais ‘sujeitos da obediência’, mas sujeitos de desempenho e produção. São empresários de si mesmos.”

Para compreender o pensamento de Han, precisamos tomar um ponto como norte: a virada daquilo que ele chama de sociedade da obediência para a sociedade de desempenho. Mas o que isso quer dizer?

Antes, éramos sujeitos da obediência. Existia um “fora” que nos comandava: a autoridade, o chefe, o pai, o Estado, a lei. A disciplina operava de cima para baixo. O dever era claro: obedecer. O limite era imposto e evidente.

O sujeito de desempenho da modernidade tardia não se submete a nenhum trabalho compulsório. Suas máximas não são obediência, lei e cumprimento do dever, mas liberdade e boa vontade. Do trabalho, espera acima de tudo alcançar prazer. Tampouco se trata de seguir o chamado de um outro. Ao contrário, ele ouve a si mesmo. Deve ser um empreendedor de si mesmo. Assim, ele se desvincula da negatividade das ordens do outro. Mas essa liberdade do outro não só lhe proporciona emancipação e libertação. A dialética misteriosa da liberdade transforma essa liberdade em novas coações.

Hoje, essa dinâmica muda de lugar. O comando já não vem de fora, ele nasce dentro de nós. Agora somos sujeitos de desempenho: pessoas que não apenas trabalham, mas se cobram; não apenas produzem, mas se exigem; não apenas respondem a um sistema, mas internalizam esse sistema como se fosse sua própria vontade. Nas palavras de Han, tornamo-nos “empreendedores de nós mesmos”.

Já não precisamos mais de um senhor que nos puna, nós mesmos nos punimos. O chicote virou o peso da nossa própria cobrança por resultados mais rápidos e melhores. É nesse ponto que aparece aquilo que Han chama de ‘infarto da alma’: marcado pelo esgotamento do sujeito submetido à sua própria cobrança, que se manifesta proveniente de um estado de autoexploração acompanhada da sensação de nunca ser suficiente em nome desse excesso de positividade.

Quando se fala em “positividade”, o autor não está usando a palavra simplesmente como sinônimo de algo bom. A positividade é a lógica do “sim, eu posso” no original “Yes, I Can”, trazendo essa ideia de superar meus limites. Diferente de uma sociedade baseada na proibição e no “não”, a sociedade de desempenho nos apresenta possibilidades aparentemente ilimitadas. O problema é que, quando tudo parece possível, o limite também passa a ser responsabilidade do próprio indivíduo.

Essa é a base de A Sociedade do Cansaço, a ideia de que não vivemos mais sob coerção, mas sob um impulso destrutivo de positividade. Gosto particularmente do recurso mitológico usado por Han para pensar o cansaço, a alteridade e a negatividade, conceitos que aparecem frequentemente em suas obras:

A Medusa ... Constitui uma alteridade radical, que nem sequer se pode olhar, sem sucumbir. Assim, a violência neuronal, ao contrário, escapa a toda ótica imunológica, pois não tem negatividade. A violência da positividade não é privativa, mas saturante; não excludente, mas exaustiva. Por isso é inacessível a uma percepção direta.

A violência viral, que continua seguindo o esquema imunológico de interior e exterior ou de próprio e outro, e pressupõe uma singularidade ou alteridade hostil ao sistema... A violência neuronal não parte mais de uma negatividade estranha ao sistema. É antes uma violência sistêmica, isto é, uma violência imanente ao sistema.

Na mitologia grega, a Medusa é uma figura cuja imagem provoca a morte: olhar diretamente para ela significa ser transformado em pedra. Ela representa, portanto, algo radicalmente diferente de nós, uma ameaça que ao ser olhada paralisa.

Han recupera essa imagem para explicar a diferença entre uma violência que vem de fora e a violência da sociedade de desempenho. A Medusa representa a negatividade, existe um outro, um limite, algo que nos confronta. Já a violência neuronal nasce dentro do próprio sujeito, que passa a cobrar de si mesmo cada vez mais desempenho.

É justamente por isso que essa violência pode ser tão difícil de perceber. Não há necessariamente alguém segurando o chicote; nós mesmos o seguramos. A cobrança se apresenta como liberdade, vontade de melhorar e possibilidade de fazer sempre mais, até que a própria positividade se torna exaustiva.


A Agonia do Eros


Han provoca ao apresentar um amor em agonia, justamente porque o Outro está desaparecendo ou melhor estamos apagando-o. As causas se aproximam das que produzem o cansaço: o excesso e a positividade promovem uma forma de narcisismo que enfraquece a experiência do Outro.

O amor deixa de ser encontro com aquilo que é diferente de nós e passa a funcionar como um espelho: uma sociedade que ama, cada vez mais, o reflexo de si mesma mas se torna intolerante.

E dessa forma, o amor entra na mesma lógica do consumo, pois passamos a assimilar tudo com esses olhos, assim ocorre também como consequência o desaparecimento do eros. O sujeito hiperprodutivo e narcisista quer otimizar o amor, torná-lo eficiente, confortável, sem atrito, sem as dores, como se fosse uma mercadoria emocional e menos humano, o processo extingue a sensibilidade. Como haveria de caber em processos tão racionais algo tão sem controle como o amor?

Simples, adaptando para uma versão comercial – algo que o capitalismo adora fazer! Retiremos pois seu suas vestes de loucuras e devolvemos o amor como esse lugar desprovido do negativo! Mas o esvaziamento tem as suas consequências:

Sem o negativo, sem o outro que fere e desestabiliza,
o amor perde sua força erótica.

Ao pensar na perda da estabilidade, minha mente me leva direto a Bauman, que observa como o amor passa a ser atravessado pela lógica de consumo, em que buscamos relações como quem busca um produto: esperamos satisfação imediata, descartamos aquilo que já não corresponde às nossas expectativas e tememos o investimento emocional que exige tempo, vulnerabilidade e, principalmente, a possibilidade da dor. Dessa forma a nossa visão é totalmente afetada, o outro passa a ser visto como objeto de um catálogo na prateleira do amor e não como um ser humano com profundidade e complexidades.

O diferente assusta e desestabiliza, amar significa perder o controle. Com o desaparecimento do Outro a alteridade morre, e o que temos é o narcisismo, a busca por um reflexo nosso nas águas do romance.

O amor perde sua profundidade quando passa a obedecer à lógica do mercado: torna-se efêmero, substituível e incapaz de reconhecer no outro algo que ultrapasse aquilo que podemos consumir, controlar ou compreender imediatamente. Se há conflito não serve!

E qual seria a solução para limpar as lentes sujas pelo tempo da qual vivemos? Talvez Gachiakuta nos ofereça uma pequena provocação:

Se a gente usa uma coisa com carinho por muito tempo,
ela passa a abrigar uma alma.

Uma obra que fala sobre lixo e coisas descartáveis, em um mundo que ensina a correr e estar em movimento, perdemos a capacidade de permanecer tempo suficiente diante de algo para que ele deixe de ser apenas um objeto diante dos nossos olhos. Olhar mais atentamente para as coisas e para as pessoas que nos cercam, permitir-nos o choque e o espanto, a dor, o atravessamento talvez seja uma forma de devolver a nós mesmos a nossa própria alma.

Perceber que aquilo que chamam de lixo ainda pode carregar valor, memória e até poder para transformar a nossa realidade. Permitir que o óbvio se transforme diante dos olhos.

Vita Contemplativa - Do cansaço à contemplação
Depois de ler A Sociedade do Cansaço3 e A Agonia do Eros4, comecei a perceber que os dois livros nos colocar para refletir nas principais perdas fruto dessa positividade. No primeiro, perdemos a capacidade de parar; no segundo, perdemos a capacidade de encontrar verdadeiramente o Outro. Em ambos, existe um sujeito cada vez mais preso a si mesmo, à própria produtividade, ao próprio desempenho e às próprias expectativas.

É nesse ponto que Vita Contemplativa5 me parece ganhar uma importância especial. Se os dois primeiros livros apresentam diferentes faces do problema, e sugere a pergunta “O que perdemos ou quais são as consequências“ o terceiro desloca para outra pergunta: “o que fazemos com esse diagnóstico?”

A contemplação aparece então não simplesmente como descanso, nem como uma fuga da realidade, mas como uma interrupção da lógica do desempenho. Contemplar é suspender, ainda que por um instante, a necessidade de transformar tudo em ação, resultado, informação ou utilidade.

Se o sujeito de desempenho não consegue parar, e se o sujeito narcisista já não consegue encontrar o Outro, talvez seja necessário recuperar uma capacidade que a lógica do desempenho parece ter enfraquecido: a capacidade de simplesmente estar diante de alguma coisa sem imediatamente querer dominá-la, consumi-la ou transformá-la. Admirar sem consumir.


Enquanto o Café Esfria


A luta contra o esvaziamento e o olhar acostumado

Han me faz pensar em uma passagem de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, quando Mustafá Mond explica o que foi sacrificado em nome da felicidade:

É preciso escolher entre a felicidade e aquilo que antigamente se chamavam a grande arte. Nós sacrificamos a grande arte. Temos, em seu lugar, os filmes sensíveis e o órgão de perfumes — mas eles não significam nada. — Significam o que são; representam para os espectadores uma porção de sensações agradáveis.

A positividade não significa ausência de estímulos, mas excesso deles. Podemos ter cada vez mais sensações, informações, entretenimento e experiências agradáveis e, ainda assim, perder a capacidade de sermos verdadeiramente afetados por elas.

Assim como acontece em Admirável Mundo Novo, não é o desaparecimento ou extinção de algo, mas uma adaptação. A arte que arrepiava que deslocava, foi substituída apenas por sensações limitada ao corpo, mas que não significam nada. Não causam nenhum deslocamento, são apenas isso “sensações agradáveis”.

O que desaparece não é o sentir, mas aquela coisa capaz de promover um terremoto e estremecer as paredes de certezas e nos deixar em estado de choque, exigindo de nós uma resposta mais profunda. Com a era da positividade removemos tudo o que pode nos levar ao incômodo, a dor, o estranhamento e a tensão. Tudo aquilo que interrompe o fluxo e nos obriga a permanecer diante de algo que não conseguimos consumir ou compreender imediatamente é descartado.

Tocamos apenas a superfície das coisas, percorremos o solo das relações sem ao menos fincar raízes profundas. Nossos olhos passam, às vezes se fixam; olham, mas não enxergam, desaprendemos a contemplar.

Todas as coisas se tornam banais, comuns e intediantes porque as esvaziamos. Seu sentido passa a ser o sentido do comércio de desejos: uma vez satisfeitos ou insatisfeitos, troca-se, muda-se, segue-se adiante. Não há nada que nos faça permanecer pois removemos a sua alma.

O que pode ter significado ou conexão se não conseguimos pensar fora de uma lógica utilitária?

Acostumamo-nos a avaliar, validar e julgar, mas ficamos estagnados, não conseguirmos nos encantar, nos espantar ou sofrer o duro golpe do impacto. Sentir ao menos arrepios.

O lugar que dói é o mesmo que sente arrepios.

A conexão só é possível quando há o atravessamento, mas não permanecemos tempo suficiente para sermos atravessados. Ser atravessado envolve um custo alto: perturbar o silêncio, sentir a dor de ser tocado em um lugar profundo demais, escuro demais, ser sacudido.

O que evoca Han e o uso de Medusa como metáfora, onde sentir esse arrepio, seria como olhar nos olhos de Medusa e deixar-se tornar pedra.

Precisamos desse espanto capaz de nos trazer de volta ao presente das coisas, de nos colocar diante do absurdo e nos deixar, por um instante, inertes, contemplando o horror de sermos atravessados, o escâdalo do descontrole de sermos humanos.

Nos ensinaram a correr, mas não a descansar — e por isso nossos pés sangram. Não sabemos quando parar. Vivemos em uma sociedade que sabe digitar e ler palavras, juntar letras, produzir e reproduzir discursos, mas que já não se espanta.

Talvez o maior sintoma dessa sociedade do desempenho não seja apenas o cansaço, mas a nossa incapacidade de perceber que estamos cansados. Continuamos correndo porque parar parece fracasso; continuamos produzindo porque existir parece precisar de alguma validação ou justificativa; continuamos consumindo porque já não sabemos permanecer sem estimulos. Aceitamos respostas prontas pois perdemos o eixo que nos faz questionar.

Permanecer é dar tempo para que alguma coisa adquira peso, memória, significado. É justamente aquilo que o descarte não permite. E talvez seja por isso que uma sociedade tão obcecada pelo movimento produza sujeitos tão cansados e, ao mesmo tempo, tão pouco capazes de serem tocados.

Que, em um mundo acostumado a consumir e correr, possamos caminhar. Deixar que o café esfrie sob a mesa enquanto a mente se perde em devaneios. Permanecer diante daquilo que nos provoca, que nos fere, que nos desloca desprovido da capa positiva que nos faz ficar apenas diante do que é palatável. Aceitar o risco de olhar nos olhos de Medusa e, por um instante, deixar-se tornar pedra.


Notas do Rodapé


PORFÍRIO, Francisco. Modernidade líquida. Mundo Educação, [s.d.]. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/modernidade-liquida.htm. Acesso em: 30 dez. 2026.

GACHIAKUTA (ガチアクタ, Gachiakuta) é uma série de mangá de fantasia sombria escrita e ilustrada por Kei Urana, com desenhos de graffiti de Andō Hideyoshi. A obra é publicada na Weekly Shōnen Magazine desde 2022 e recebeu uma adaptação para anime pelo estúdio Bones, anunciada em 2024. O anime estreou em 2025. A série aborda questões relacionadas a valor, descarte, desigualdade e muitas críticas sociais provocando reflexões. Aqui, faço apenas uma breve referência à obra, porque ela merece um Caffe próprio.

GACHIAKUTA. Direção: Fumihiro Suzuki. Japão: Bones Film, 2025-. Série de televisão.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.

HAN, Byung-Chul. A agonia de Eros. Petrópolis: Vozes, 2017.

HAN, Byung-Chul. Vita contemplativa: ou sobre a inatividade. Petrópolis: Vozes, 2023.

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